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25 outubro 2017

#outubrorosa: Cirurgia de Reconstrução, fatores psicológicos e como podemos ajudar


Olá, meninas! E meninos!

Continuando com os post sobre o #outubrorosa, vamos tratar não apenas do aspecto físico, mas também do psicológico. Imagina-se que quem passa por uma fase de descoberta do câncer, quimioterapia, radio e tudo mais, fica com o psicológico muito abalado e não é para menos. A mastectomia é um processo muito evasivo, pesado não só pela recuperação, que é lenta mas, principalmente, por mexer com algo tão feminino quanto os seios. É como se a feminilidade fosse reduzida a zero e isso é muito, muito pesado para a mulher enfrentar. Vou deixar quadros informativos também ao longo do post. 




Ela se preocupa quando olha no espelho, se preocupa quando toma banho e uma parte dela está faltando. Se sente frustrada, perdida, incompleta. E ainda tem o problema de se mostrar novamente para o marido. Realmente, não precisamos passar por isso para saber como é horrível tudo isso! E já podemos imaginar que vai enfrentar outros problemas com libido, com auto-estima, em não querer se olhar no espelho. Mexe muito profundamente com o psicológico e com a feminilidade de forma geral. E para recuperar isso, leva tempo, paciência, muita compreensão da família...Lembre-se que, por mais que para você pode ser bobagem, você não está passando por isso. A mulher que passa por isso se sente mutilada. E na verdade, ela perdeu uma parte do corpo. Portanto, é uma mutilação não só física como moral. Ter paciência, dar apoio, ouvir às queixas da mulher é fundamental. Um dia, vai melhorar. Mas ela tem direito de se sentir mal e de ficar triste, de se sentir abalada, até de entrar em depressão. E isso é bem frequente.



A mulher sente um misto de negação da própria doença, falta de esperança e até de que a cura seja plena e completa. Se isso vai acontecer, depende do tratamento e de contar tudo para o médico. É recomendável que anote tudo num papel ou caderno, até para acompanhar a evolução do tratamento.



A ideia de reconstrução mamária é uma chance de recuperar a auto-estima e de redenção da mulher, já que não é raro ela se senti menos mulher que as outras depois desse baque doloroso.




Depois de mais de 10 anos da mastectomia, lá pelos idos de 1995 ou 1996, minha mãe teve a oportunidade de fazer a reconstrução da mama, mas começou ficar com medo e isso gerou vários sonhos ruins, pesadelos fortes de que teve que retirar a outra mama também e até de morte. Sentia até cheiro de flores e velas, como se fosse um velório. Passou a ter problemas para dormir, preocupada com a cirurgia, mas continuava fazendo os exames para realizar a cirurgia. Até que quando o médico cirurgião deu ok para ela fazer a reconstrução e já estava com a data marcada, ela me perguntou (aliás, perguntou para cada um aqui de casa) se devia fazer ou não, que estava com medo, que sonhava e tudo mais. Tadinha...Eu falei o que eu pensava: que muita gente fazia já a cirurgia (inclusive a mãe de um colega meu havia feito) e que as cirurgias eram um sucesso,  que el devia pensar positivo e não pensar que algo de ruim fosse acontecer e sim, que a cirurgia estava melhorando a vida dessas mulheres e ia melhorar a vida dela também, mas se ela tinha tanto medo de passar por mais uma cirurgia, então que reconsiderasse o que era mais importante e que independente do que ela decidisse, estaríamos do lado dela. E devemos deixar bem claro que ela vai CONTINUAR A SER AMADA DE QUALQUER JEITO!




Mas o medo foi maior e ela desistiu da cirurgia. Hoje, quem passa pela mastectomia, a maioria dos hospitais já fazem a reconstrução e é muito mais fácil do que retirar o seio (ou seios) e depois de tanto tempo se submeter a reconstrução, é tão traumático quanto ter que remover outro seio e entendi o porquê de ela ter tido medo. Não importava se ela teria o seio de volta: ela temia pela própria vida. E é totalmente compreensível pensar nisso como prioridade. Ela viu a morte de perto. Acho que ninguém quer passar por algo semelhante de novo. É uma cirurgia, que requer anestesia geral, é invasiva, dolorida, de recuperação lenta também. Acho que ninguém que passe por isso quer fazer outra cirurgia de novo na vida. Então, ela continuou a nunca mais ir na praia, usar as próteses mamárias e tudo igual como ela já tinha se acostumado. Realmente, na vida, sempre temos que fazer escolhas. e se a escolha dela era viver sem fazer cirurgia, mesmo abrindo mão de ter sua parte de volta, devemos entender e respeitar. Sempre!




No próximo post, vou contar quais os problemas que podem dar no braço após a cirurgia. Duas pessoas me enviaram perguntas sobre isso no e-mail e vou esclarecer melhor pra vocês. Sim, podem dar problemas no braço e tem chance de ser irreversível. Então, fiquem atentos que segunda que vem eu encerro os posts do #outubrorosa. Estou gostando que as pessoas queiram se informar mais, que estejam lendo atentamente os artigos aqui sobre o assunto, mas lembrem-se: sua visita ao médico é fundamental! 

Beijos e até mais!










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