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16 outubro 2017

Outubro Rosa: o problema não é só o câncer


Olá, meninas e meninos!

Eu pensei em pedir a participação da minha mãe para estes posts sobre o #outubrorosa, mas não tive coragem. Foi só um pensamento que me passou pela cabeça. Por que eu não tive coragem? Porque sei como foi e ainda é difícil para ela falar do assunto, imagine se expor. São 33 anos convivendo com uma pessoa que vi sofrer na carne tudo que esta doença pode fazer com alguém.

Gostaria de mostrar de fato a realidade de alguém que passa pela mastectomia - as frustrações, as ansiedades, os problemas físicos e psicológicos (que abordarei no próximo post. Mas minha mãe não é muito aberta a falar de si mesma, muito menos quando o assunto é algo tão íntimo assim. Eu sei o quanto isso foi traumático para ela. De muitas formas, ainda é.




Primeiro, como se caracteriza o câncer de mama? O nome médico para o tipo desse câncer é Carcinoma de Mama. Sempre que virem o termo "CARCINOMA" não é algo nada bom. Existem N tipos de carcinoma e todos eles são malignos, isto é, podem levar à morte. 

Alguns dos sintomas do câncer de mama:



  • Dor ou inversão do mamilo;
  • Vermelhidão ou descamação do mamilo ou da pele do seio;
  • Aparecimento de nódulos (caroços) no seio ou na  axilas,  podendo apresentar dor ou não, serem duros e  irregulares ou macios e redondos;
  • Presença de secreção pelo mamilo, sanguinolenta ou não;
  • Inchaço irregular em parte da mama, que pode ficar  quente e vermelha;
  • Irritação ou retração na pele ou aparecimento de rugosidade semelhante à casca de laranja;
  • Nos casos mais adiantados, é possível aparecer ulceração na pele com odor desagradável.

Se fizer algum exame que acuse ADENOMA,  este sim é um tumor benigno ou não-cancerígeno, que nada mais é que um crescimento anormal das glândulas. Eu digo que é bom sempre observar após receber um exame mesmo acusando um adenoma, porque nenhum médico pode garantir que algo que seja benigno não possa se tornar maligno depois de um tempo. Afinal, o câncer é um crescimento desordenado das celulas. De crescimento anormal para desordenado não falta muito e é preciso ficar atenta, sim. Médicos vão dizer que não deve se preocupar, mas a verdade é que devemos nos preocupar sempre e ficar alertas!

Esta foto abaixo um adenoma também. É bem feio e deve ser dolorido também, então, vamos esperar o que até ficar desse tamanho ou virar coisa pior? Dá até agonia de olhar! 



Voltando aos seios, se não corre ao médico logo que percebe um nódulo (se não leram o primeiro post sobre câncer de mama, pode ler aqui onde conto que minha mãe esperou demais para ir ao médico), você certamente sofrerá uma MASTECTOMIA total.

Mas o que é MASTECTOMIA?

É a remoção da parte afetada pelo carcinoma no seios. Pode ser uma parte pequena como pode ser o seio todo, como foi no caso da minha mãe. 




Os cuidados com após a Mastectomia seja ela total ou não, principalmente, incluem não carregar peso (nem uma garrafa d´água pode carregar com o braço que fez a cirurgia), não se colocar em contato com quentura (forno, ferro de passar, etc) e eletrodomésticos que emitam micro-ondas (como o próprio forno micro-ondas). Isso vale para a VIDA TODA! Nunca mais vai poder manipular esses eletrodomésticos. Minha mãe, mesmo depois de ter passado por cirurgia, quimio e radioterapia e ter sido advertida, uns 12 ou 14 anos depois da cirurgia, ela desenvolveu LINFEDEMA. 

O que é LINFEDEMA?

É quando os fluidos corporais se acumulam nos tecidos de braço ou perna. Segundo a explicação da fisioterapeuta que minha mãe ia semanalmente no Hospital do Câncer, seria não só os fluidos corporais mas também o próprio suor, já que no caso da minha mãe, as glândulas sudoríparas foram removidas também para evitar uma possível metástase através desses fluidos, que chamam de linfa. Gente, esse Linfedema é horrível! Além de deformar o braço e ficar pesado, sendo que fica muito maior que o braço normal, de tempos em tempos sai um líquido viscoso do braço. Por causa disso, minha mãe sente dores horríveis no braço, febre altíssima, independente de ter feito algum movimento ou não. Não pode tomar injeção nesse braço nem medir a pressão. E tomar o maior cuidado para não machucar o braço ou tomar uma picada de inseto. Acreditem: o braço da minha mãe é ainda maior que este da foto. 


Dói, é incômodo por causa do peso, fica dolorido. Linfedema não tem cura. Não tem mais como o braço voltar a ser o que era, mesmo usando direto a luva de compressão, que é bem grossa, aperta para evitar que o membro fique ainda maior e é terrível colocar e usar essa luva no verão. Não existem muitos tratamentos para isto: apenas as luvas de compressão, que podem custar de R$ 150 a R$ 400 reais e a fisioterapia, que  consiste na drenagem dos gânglios e enfaixamento, como se fosse de fratura. Enquanto está na fase de enfaixamento, só retira as faixas um dia antes de retornar na fisio, na semana seguinte, tendo que ficar com  o braço enfaixado a semana toda, vai lá na fisio, drena e enfaixa de novo e assim por diante. Minha mãe fez esse processo mais de 1 ano e foi o período que mais desinchou o braço. Mas...como a véia é teimosa que só ela rsrs voltou a fazer tudo como se estivesse curada e o braço inchou pior do que antes, porque ela relaxou com o uso da luva e começou fazer serviço de casa como se nada houvesse. Como eu estava na escola, meu pai e irmã trabalhavam, não tínhamos como ficar no pé dela. Mas ela sofre com as consequências até hoje. 

Por isso, meus amores, se conhece quem recebeu um diagnóstico de câncer de mama, seja sua mãe, sua tia, sua amiga, converse com ela. Explique tudo que pode acontecer além da cirurgia. A cirurgia, gente, é o de menos...claro, se logo que perceber um nódulo correr ao médico.Vai retirar aquele 2, 3 cm ou até menos do nódulo, faz sessões de radioterapia e vida normal! MAS...se demorar para correr para o médico como minha mãe teve (repito, passem no post anterior sobre o #outubrorosa), os procedimentos e tudo que envolve a doença se torna presente a vida toda, porque existem complicações, além do próprio câncer. 

É claro que, mesmo depois de tudo isso, minha mãe é uma guerreira e tanto! Passou por muita coisa, muito trauma, muita dor...mas está viva! E poderia ter morrido na mesa de cirurgia. Mas não morreu! Lutou e continua lutando; enterrou os médicos que operaram ela...e olha que receber um diagnóstico desses no início dos anos 80 era quase que uma sentença de morte. A perspectiva era de que ela morresse muito antes e está aqui comigo, com quase 80 anos de idade.

Então, meus amores, cuidem-se muito. A saúde é uma só e é o bem mais precioso que temos na vida. sem saúde, não somos absolutamente nada. 

Não tenham medo de enfrentar médicos, exames e outras coisas desagradáveis: a sua saúde vale muito mais do que isso e vale a pena lutar por ela!

Ainda terão mais post sobre o #outubrorosa. Fiquem ligadas que vou falar de mais coisas que os médicos, geralmente, não previnem suas pacientes do que pode acontecer. 

Um grande beijo e até mais!









Créditos: clinicadamama.com.br / http://anaprifisio.blogspot.com / pt.slideshare.com / ocirurgiapvascular.com.br /