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05 maio 2017

Depressão: o grande mal da humanidade ( parte 1 )


Olá, meninas e meninos!


Hoje, o assunto é bastante sério e de importante abordagem. E por abranger diferentes formas de manifestação em cada pessoa, devo dividir o assunto em vários posts, pois não vou abordar somente a depressão, mas diversos tipos de transtornos ou distúrbios ao longo de muitos posts. Se quiserem que eu fale sobre algum em específico, podem deixar nos comentários.




Esclareço que não sou psicóloga nem psiquiatra, não tenho formação em nenhuma especialidade do gênero, mas estarei aqui falando como portadora de dois desses problemas, dentre tantos que existem que a cada dia ouvimos falar, além de ler muito sobre esses tipos de doenças e estar sempre me informando e estou sempre em contato com elas, de uma forma ou de outra.

Primeiramente, vamos tratar do que é a depressão. E nada melhor para definir o sentimento da depressão do que a imagem que encontrei no Pinterest: "I want to disapear" ou Eu quero desaparecer.

Nada poderia ser tão sintetizante quanto este sentimento quando estamos acometidos pela depressão. Você se sente a pessoa mais infeliz do mundo. Poderia acontecer a coisa que mais desejasse na vida e, ainda assim, estaria infeliz. A vida não faz sentido, por mais que tente olhar as coisas de forma diferente, não há como, não se encontra saída, parece que perdemos até a razão e o poder de raciocínio. É como se tudo e todos não fizessem mais o menor sentido para você e você se faz a pergunta: "O que estou fazendo neste mundo? Por que estou passando por isso? POR QUE EU???

E vai se isolando cada vez mais do mundo. O depressivo sente uma coisa tão ruim dentro dele, tudo aquilo é tão estranho nele que não consegue imaginar de onde vem e o por quê de tudo aquilo.





Geralmente, seus amigos vão te ver para baixo e achar que é só uma fase ou que aconteceu algo, até que você se abre com alguém que, provavelmente, não vai te entender porque nem todo mundo tem noção de como a depressão é limitante, incapacitante, debilitante e vai achar que você somente está triste e ou não tem vontade de sair dessa. 

Ninguém quer ficar se sentindo um lixo, questionando a própria existência, pensando que a vida não tem sentido, que nem sabe porque está viva e pensando insistentemente em morrer, mesmo que não tenha ideias suicidas propriamente, mas quando está depressivo,  temos a forte vontade de que algo nos tire a vida, que nos livre do fardo que se tornou viver. 


É bom começar, principalmente, a diferenciar o que é depressão de tristeza. O quadro abaixo é bem esclarecedor de forma bem simples, embora hajam mais fatores contribuintes:







Eu não me lembro exatamente quando comecei a apresentar sintomas da depressão. Só sei que foi ainda muito nova, lá pelos meus 15 ou 16 anos. Eu sentia uma tristeza que não sabia de onde nem porque estava ali. Na época, ouvia coisas sobre outras pessoas sobre assédio de entidades do além e coisas do gênero, apesar de nunca ter acreditado nessas coisas, cheguei a questionar se poderia ser isso. Haviam períodos que eu me sentia melhor, eu tinha amigos, estudava, mas o período do colégio e a pressão que começa se formar nessa idade de ter que decidir o que quer fazer da vida começou a piorar tudo, porque eu sabia o que queria fazer, mas também sabia que eu teria um embate feroz com meus pais: eu queria ser cantora. Me marejam os olhos até hoje quando penso nisso. Resumindo tudo: precisaria estudar técnicas vocais , me dedicar a isto como se fosse como com qualquer profissão: advogada, médica, professora...e sabia que não teria o mínimo apoio dos meus pais mesmo que conseguisse bolsa gratuita ou algo parecido e, resumindo, não tive apoio para absolutamente nada, nem para conseguir dinheiro para um ônibus. Fui tolida de todas as formas, passei por vergonha. Cheguei a pensar em fugir de casa, sair pelo mundo tomada por histórias de pessoas que haviam feito o mesmo e depois tiveram a recompensa do reconhecimento, mas eu era jovem demais, não sabia nada da vida, me sentia sozinha, desprotegida e onde eu ia me enfiar? O que eu ia fazer e como fazer para me sustentar? Como iria conseguir um canto para morar sem saber fazer nada? Eu não tinha a menor maturidade e discernimento para pensar numa alternativa. A razão acabou falando mais alto, mas paguei um preço bem alto por isso. Me deixei levar pela não aprovação dos meus pais e cedi. 

Nos anos seguintes, sentia que nunca seria feliz na vida por ter aberto mão de algo tão importante para mim. Me sentia impotente, inútil e não queria fazer nada. O colégio acabou, eu não queria cursar mais nada nem trabalhar, não queria saber de nada com a vida. Pra mim, parte da vida já não fazia sentido desde então. Parte de mim morreu ali e sinto até hoje que minha essência se corrompeu de alguma forma.

Os anos foram passando e fui desenvolvendo até sem perceber, muitas vezes, vários mecanismos de defesa para tudo e para todos. Parte de mim lá no fundo, ainda era eu. Mas uma outra metade já era outra pessoa, minha personalidade passou por mudanças drásticas. Eu mudei muito desde então. Para muitos, para pior. Porque acabei me tornando mais dura, sarcástica, irônica. Comecei enfrentar as pessoas com ma agressividade que só percebi que já estava arraigada em mim depois de um tempo, usei de violência verbal com muita gente que nem tinha culpa de nada, fiquei revoltada, desconfiada e levar desaforo para casa, por menor que fosse estava totalmente fora de questão e passei a levar isso a ferro e fogo. 


A vida também foi trazendo experiência. E também mais problemas. Fui administrando conforme podia ou empurrando com a barriga e como havia aprendido a fazer. Até que, no ano passado eu caí de novo numa suspeita de Síndrome do Pânico. Eu sentia taquicardia, o coração parecia que ia sair pela boca, sentia um medo de sei lá o quê, como se algo muito ruim fosse me acontecer, estava "bem" e, de repente, desatava a chorar...simplesmente do nada. Ficava zonza como se o mundo girasse a mais de 90 km/h, ficava sem noção de espaço, batia nas coisas, tinha dias que não podia ficar em pé sem ajuda de outra pessoa, suava frio, dava falta de ar. Mas não tinha medo de sair na rua. Pode até ser porque depois que comecei apresentar essas "esquisitices", não saía mais sozinha mesmo. Mas, mesmo assim, não fazia sentido. Me afastei do trabalho, que também estava me prejudicando. E foi aí que, me tratando para labirintite e os remédios para isto pouco faziam efeito, que fui parar no psiquiatra.  


Acham que foi fácil para mim admitir ou chegar à conclusão que eu não daria conta sozinha? Claro que não. Mas uma hora, a ficha tem que cair, nem que seja com sua saúde fugindo pelo ralo sem saber porquê. Cheguei no psiquiatra e quando comecei a falar, desabei. Chorei igual uma criança por horas. Pus tanta coisa pra fora que fiquei na sala dele quase quatro horas. O psiquiatra também é muito bom, não é daqueles que só querem saber qual é o problema e te enfiar vinte remédios por dia (as -ínas, os -epans e tantos outros sufixos de remédios para esse fim), embora até hoje eu tome remédios porque não estou curada. Ele me ouviu atentamente ao que eu estava passando e como cheguei até ali. Me indicou procurar atividade física, acreditar em alguma coisa ( sou ateia convicta) e ir a um psicólogo. Fui atrás porque, depois que começa a tomar os remédios, uma outra consciência parece que começa despertar. E quis um psicólogo para me ajudar. Ou melhor, auxiliar a me ajudar. Quem entra no buraco somos nós mesmos e nós mesmos é quem devemos achar o caminho da saída. 
Entendam isso, tá? Nós não temos consciência disto, só quando procuramos ajuda é que começamos a perceber que demos atenção à pessoas e coisas que não mereciam. Pode ser um trauma de infância que você nem lembra como aconteceu, uma palavra mais dura dos seus pais, um comentário infeliz de um parente, um bullying na escola. Não temos culpabilidade de nada, as coisas simplesmente vão acontecendo e só nos damos conta de quanto mal nos causou quando já chegamos nesse estágio crítico.

O psicólogo não é nenhum santo milagreiro. Sozinho, ele não consegue nada. Se você não se abre, não dá o caminho das pedras, fica fingindo que o que ele tenta fazer você enxergar não é verdade, nada adianta. Negação não ajuda em nada. VOCÊ é quem vai achar o caminho de volta. E é por isso que fazer terapia é difícil. E muito. Você percebe o quanto foi bobo, até ridículo, imaturo, que errou na maioria das vezes, que não soube conduzir as coisas de maneira melhor e até mais fácil. Não porque seja culpado de tudo isso ou porque não quisesse, mas porque não sabia como podia fazer melhor. Enfim, fazer terapia é um tanto indigesto porque você se dá conta de coisas sobre si mesmo que não são nada agradáveis e que muita coisa poderia ter conduzido de forma diferente e ter conseguido as coisas como queria ou chegado mais perto disso em vez de simplesmente abrir mão, de se abandonar ou fingir que está tudo bem quando a gente sempre sabe lá no fundo que está tudo péssimo. Houveram alguns problemas no caminho e ainda há, mas hoje me sinto melhor. 


Não estou livre de ter crises. Tomar remédios ajuda, mas não faz milagre, você não se cura só com remédios. A gente mesmo precisa achar um jeito de fazer isso, que pode demorar meses, anos ou até mesmo nunca encontrar uma maneira certeira de se livrar de vez do problema. É um mal que pode se tornar definitivo. Há poucos dias, tive um final de semana terrível que nem saí do quarto. Achei que estava caindo no poço de novo. Não chorei, não briguei com ninguém, mas não queria conversar, não queria ver ninguém. Mas os dias foram passando: na segunda estava mal, na terça melhorei e na quarta já estava bem. Mas posso dizer que sempre que caio numa crise dessas, é a pior coisa do mundo. 

Existem, sim, os gatilhos. Você está lá fazendo seu tratamento todo certinho e de repente, vem algum idiota falando uma merda qualquer e você, que já está vulnerável, desaba. 

Portanto, o primeiro passo é aceitar que precisa de ajuda e que não vai conseguir sair dessa sozinho. Não vai! Você precisa de um psiquiatra, em primeiro lugar. Nada dessa de "psiquiatra é pra louco". Por favor, estamos no século 21 e você não vai pensar como seus tataravós, vai? O psiquiatra simplesmente vai te indicar as medicações corretas depois que ele analisar o que você tem, com base nos seus relatos e suas emoções. Certamente, ele vai te indicar que procure um psicólogo, que é onde vai poder começar "exorcisar" seus medos, angústias, os problemas que começaram a desencadear esse turbilhão de sentimentos, esses "fantasmas" que fizeram você chegar até ele e, assim vai, até conseguir encontrar uma luz no fim do túnel. O depressivo está perdido em si mesmo e a parte da psicologia é ajudar a pessoa a se reencontrar para tornar a enxergar que pode voltar a viver e não somente estar vivo.

A felicidade é muito relativa. Isso vai de cada um. Encontrar o caminho da felicidade individual é um desafio a ser vencido por cada um de nós, independente de ter qualquer problema dessa natureza, mas ao enxergar que viver realmente é possível, é mais fácil conseguir perceber o que pode fazer sua felicidade e fazer a vida valer a pena.

A próxima postagem do assunto relacionado a transtornos psicológicos é sobre a ansiedade, que é um outro mal que tem atingido milhões de pessoas e parece algo relativamente banal para muitas pessoas e várias vezes banalizado também, mas é algo muito sério que também precisa ser tratado.

Beijos e até mais!






Créditos: pinterest.com / lanyy.jusbrasil.com.br