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17 maio 2017

Ansiedade (parte 1): não é tão simples quanto você pensa


Olá, meninas e meninos!


Continuando com nosso ciclo de postagens falando sobre os transtornos mentais que mais acometem as pessoas no mundo atualmente, vamos falar hoje sobre a ansiedade.

"Como assim ansiedade é um mal que pode virar um transtorno? Todo mundo é ansioso!" Pode até ser, mas nem toda ansiedade fatalmente virará um transtorno. Temos este pré-conceito porque até não muito tempo atrás, falar que era ansioso era algo até banal. "Sou ansiosa demais! Quero tudo para ontem!" Não é desse tipo de ansiedade que vou tratar aqui. E nunca, ninguém, poderia adivinhar que isso poderia vir a ser considerado uma doença ou um transtorno.

Eu sempre fui uma pessoa muito ansiosa desde criança, daquelas que sofrem por antecipação, mas nunca vi que isso poderia me trazer problemas maiores. Nem sabia, aliás. E acredito que não foi minha ansiedade às situações cotidianas que me trouxe um problema maior, porque são duas coisas totalmente diferentes. Uma coisa é ficar roendo as unhas porque vai ter uma prova que depende sua vida disso rsrs Outra é você começar a sentir uma série de sintomas aparentemente desconexos que vão transformar sua vida num verdadeiro inferno!

Hoje, já reconstituído alguns fatos, tenho consciência que tive dores muito fortes no peito que apareciam do nada. Uma dor que não me deixava respirar. Cheguei chamar minha mãe porque tinha medo que me acontecesse algo e estivesse sozinha, pois não teria forças para gritar. Hoje, sei que até aquilo, que senti muitos anos antes ( a primeira foi por volta de 2005, 2006). Depois dá uma trégua e, mais recente mente, de 2013 para cá, esporadicamente, a dor maldita aparecia, mas cheguei até pensar que fosse gazes rsrsrs Mas não. Era coisa bem pior.





Você pode ainda achar que isso é muito normal devido ao dia-a-dia que as pessoas levam: é um corre-corre desgraçado para lá e pra cá, quem vive nos grandes centros não sabe mais direito que horas acordar, nem ao que priorizar, a que horas precisa levantar para a reunião do dia seguinte, sua mesa está uma bagunça e isto não te deixa trabalhar direito, você começa pensar em zilhões de coisas ao mesmo tempo que não chega à conclusão nenhuma, antes de deitar pensa tanto mas tanto no que tem que fazer no dia seguinte que já se sente cansado antes de dormir e levanta cansado também. Os pensamentos são tantos e tão rápidos que parecem que correm como a velocidade da luz. E no fim das contas, você não conseguiu pensar em nada direito, nada tem sentido.

Ainda você quer mudar de emprego porque tem ganhado mal, não consegue dar conta nem do cartão de crédito, o chefe te inferniza, a qualidade do cotidiano no trabalho está cada vez mais nociva e você não encontrou uma saída. Ainda. Esse "ainda" é como um tapa na cara te dizendo "AINDA está fazendo as mesmas coisas de 10 anos atrás? Quando, finalmente, vai dar um jeito nesta vida e começar a viver de verdade?"

O tempo não é nosso aliado. Nunca foi, aliás. Quanto mais o tempo passa, mais temos a sensação que é menos um dia para fazer o que sempre precisou e tem postergado, fazendo com que continue do mesmo jeito de sempre. 

E pensando, pensando, pensando sem parar nessas questões, no emprego que vai mal, nos estudos que não sabe se é mais isso mesmo que quer, na carreira que antes te fazia bem, mas hoje não mais e procura desesperadamente por uma saída que segue pensando, pensando e pensando...pensa, pensa, pensa...dá voltas e mais voltas aí dentro da cabeça sem chegar à conclusão alguma que, quando percebe, não está mais pensando com a razão e pensando coisas sem sentido, não está mais racionalizando para buscar alternativas e vai se sentindo impotente, perde o sono só em pensar nas coisas que precisa fazer só no dia seguinte, quanto mais pensar na sua vida como um todo! 




Quando se dá conta, já está perdendo o sono. Em 2015, comecei a apresentar insônia. Ficava uma ou duas noites sem dormir por semana ou acordava lá pelas 2h até às 4h da manhã e não dormia mais...Passam-se meses. Quando se dá conta, a insônia já te faz companhia toda maldita noite. Pode tomar chá de camomila, Maracujina, fitoterápico ou o que quiser que você não consegue "desligar". 

Durante o dia, não consegue parar quieto num canto. Comecei ficar elétrica demais. A minha agitação é na cabeça, nunca foi física. Parecia que tinha cheirado umas hahaha ( Tô rindo agora!). Não consegue se concentrar nem para ler um livro que tinha vontade de ler ou que precise estudar. Aliás, estudar se torna algo impossível porque, a essas alturas, minha concentração já tinha ido pro saco fazia tempo. Chegava em casa exausta e nem sabia o porquê. Se sente nervosa e irritada com tudo e todos que não consegue nem participar de uma conversa amena sem que esta acabe em discussão. Uma pessoa pacífica se torna briguenta, detesta a ideia de se encontrar com amigos, tudo neles hoje te deixa louco. Você procura algo importante sem se dar conta que você mesmo jogou fora junto com papéis que eram "inúteis" para você naquele dia e depois percebe que vai precisar deles e como pode jogar tudo fora...Você começa perceber que algo está fora do lugar. Você está fora de ordem.

Aí, começa sentir taquicardia, do nada. Um dia, dois...semana seguinte, 3 ou 4 dias. De repente, você está andando e se sente mal. Não sabe se aquilo é um princípio de infarto ou quem sabe o que pode ser isto! O coração parece que pula na intenção de saltar pela boca. Você começa a tremer, sente-se zonzo, parece que vai cair, que não coordena mais seus movimentos, não consegue comer...parece que tudo é indigesto, o estômago dói ou sente enjoo de tudo. 

Sentia já há meses antes tontura e enjoo, começava do nada. Achava que pudesse ser pressão baixa. As meninas do trabalho brincavam que eu estava grávida, mas claro que eu sabia que não era. Cada vez que lia as coisas e percebia que minha concentração e atenção já não existiam mais. E assim foi indo...

O dia que a ansiedade atingiu o ponto máximo em mim foi o dia que teve uma discussão na sala de trabalho, onde já vivíamos uma onda negativa há meses e quando fui embora, estava dentro do ônibus e via o asfalto fazendo ondas, como se estivesse na água...foi a sensação mais estranha e louca que tive na vida! A ilustração não vai mostrar nem de longe como via o chão, mas imagine estar andando e ver o chão fazer isso:




Encontrei uma vizinha na farmácia em frente ao ponto onde descia e um moço me ajudou a descer, pois sozinha eu teria caído. Estava totalmente fora de mim e não enxergava coisa com coisa. Pedi ajuda à vizinha, que precisou me ajudar a atravessar a rua e me levar até em casa. Ela dizia que eu tremia igual vara verde e eu sentia suar frio. "Menina, você está tremendo demais!" A respiração era deficiente, quase ofegante, como se eu não conseguisse respirar direito. "Você está com todo sintoma de Síndrome do Pânico" NÃO! ISSO, NÃO!

Eu dizia que não, só precisava descansar, que estava cansada e um pouco estressada, o dia tinha sido difícil. A vizinha ainda alarmou minha mãe, que vinha de 5 em 5 minutos ver como eu estava, pois eu caí na cama como se tivesse carregado 20 quilos de pedra o dia todo, exausta. Exausta de estar me sentindo tão mal. Quando sozinha, chorava do nada. Sentia o peito tão apertado que chegava a doer e cheguei a pensar que podia sofrer um ataque do coração mesmo. Eu chorava e tentava ao mesmo tempo me convencer que estava tudo bem para me acalmar mas, no fundo, eu sabia que nada estava. Eu estava apavorada sentindo todas aquelas coisas! E quer saber? Acho que naquele momento, nem saberia explicar o que sentia direito. Me sentia com medo e confusa. Foi um dos piores dias da minha vida.

Isso foi numa sexta-feira à noite. Na segunda, corri para o médico, que disse se tratar de labirintite. Ok. "Ufaaaa!" Comecei me tratar com Labirin e Dramin (sim, o remédio para enjoos. E é muito bom.). Melhorou um pouco o sintoma de vertigem, mas o resto não. E eu pensei: "Merda! Não é só isso! O que é agora?!"

Não tinha relatado as outras coisas que senti dias antes e nem que há meses não sabia o que era dormir direito. Voltei lá e abri o jogo. "Filha, não posso dizer com exatidão o que você tem, mas não é só labirintite. Você pode estar com síndrome do pânico. Você precisa de um psiquiatra" "O quê??? Psiquiatra???" - eu disse, apavorada. "Que diabos eu tenho, afinal???". Minhas questões eram muitas. "O senhor não pode me tratar?" perguntei para o médico. "Até posso ajudar quando precisar de receita médica, mas não para diagnosticar com exatidão o que você tem. Para tanto, não vou te receitar nada, além de um calmante fitoterápico" Me deu vontade de enfiar o tal do fitoterápico no fiofó dele! 

E assim fui parar no psiquiatra. E ainda bem que não fugi do fato de precisar me consultar com um, porque foi graças a ele que descobri que sofria (ainda sofro) de Transtorno Ansioso-Depressivo. (TAD). Contei um pouco da passagem ao psiquiatra no post anterior. Se quiser saber mais, é só dar uma olhada no post onde falo sobre a depressão. 

E sobre essa descoberta, o tratamento que faço e como esse transtorno se apresenta eu vou abordar num outro post, porque este já ficou imenso! rsrs

Continua...

Beijos e até a próxima!










Créditos: ativapsicologia.com.br / maeseamigas.com.br / newsbysoniasilvino.blogspot.com.br