Image Map

25 fevereiro 2016

Desafio das 12 cartas - fevereiro


Olá, meu povo! rsrs

E dando continuidade ao desafio das 12 cartas, desta vez a epístola (gostaram do vocábulo? Aprendi com o Professor Girafales! hahaha) deve ser para uma personagem fictícia.

Eu não sei se entendi muito bem essa proposta, mas me baseei na história "O mundo de Sofia" Conhecem? Basicamente, é sobre uma menina adolescente que começa receber cartas de um estranho e, intrigada, ela parte para descobrir quem é essa pessoa, que apresenta a ela uma nova maneira de enxergar o mundo. Para saberem se a Sofia realmente está apenas imaginando tudo ou se parte daquilo é real, assistam o filme e leiam o livro ("ahhhh!Nada de ficar contando as coisas, que é feio!")






Então, minha carta vai para uma senhora que vive num asilo há alguns anos e ela se chama Antônia.


"São Paulo, 25 de fevereiro de 2016"


Olá, dona Antônia, 

Espero que esteja mais contente do que quando me enviou a última carta e estou respondendo assim que a li e depois de muito pensar no que dizer e fazer.

Posso entender a solidão que sente com a ausência de seus filhos e netos, em se sentir rejeitada por não ser mais útil a sua família quando uma mãe não deve ser útil a um filho e, sim, amada e cuidada. E senti uma certa culpa em suas palavras que não devem te atormentar, pois se há alguém isento de qualquer culpa, este alguém é a senhora, que sempre foi uma mãe carinhosa, preocupada, exemplar. Seus netos, enfim, ainda são jovens demais para ter a iniciativa de lhe visitar sozinhos, mas acredito que quando forem mais independentes vão ter vontade de conhecer mais a avó. E não se preocupe: suas noras também têm filhos e saberão não só das delícias, mas também das amarguras de ser mãe, ainda mais se elas ensinam os filhos de forma tão equivocada e egoísta. 
Por outro lado, veja: a senhora encontrou amigos fiéis onde mora, onde compartilham dos mesmos medos e vontades, que se importam pelo simples fato de que sentem na pele as mesmas angústias. Eu sei que isso não é consolo, mas é um alento meio a esse sentimento de abandono. A primeira vez que mandei carta para esse abrigo, não sabia a quem chegaria as minhas palavras e, hoje, a senhora pode me conhecer melhor através delas e embora nunca nos encontramos por morarmos tão longe uma da outra, sabe que tem alguém aqui que se importa e tem em mim uma amiga que sempre terá uma palavra de conforto, para divertir até, se precisar. E que quantas vezes me escrever, quantas vezes irei responder porque assim, sei que sente alguém mais próximo de si. 
Quero dizer que escreve tão bem não só seus desabafos, mas suas histórias de vida que consigo me transportar para conhecer as pessoas que descreve e os lugares que narra com detalhes, sinto até o cheiro da comida da sua mãe e da sua avó cozinhando no fogão à lenha lá no interior. Nem preciso de livros quando chega uma carta sua. 
Sabe, embora tenha uma visão fragilizada de si mesma, vejo aí uma mulher que sempre foi determinada, forte, batalhadora e, apesar de traços tão marcantes, manteve sua doçura e tranquilidade diante dos revezes da vida. Eu descreveria cada uma de suas qualidade aqui nesta carta, mas isto eu farei pessoalmente, quando levar o seu bolo de cenoura com cobertura de chocolate que tanto gosta na semana que vem, porque depois de quase 3 anos nos correspondendo por cartas, finalmente vou poder visitar a cidade para te conhecer e dar um abraço bem apertado. Não só porque acho que a senhora merece, mas porque eu aprendi a te admirar e quero me sentir abraçada também por alguém tão especial."


Esta carta poderia ser enviada a qualquer abrigo, asilo, casa de repouso ou seja lá qual nome levam essas instituições que acolhem idosos, algumas sem o menor respeito nem compaixão por eles, já fragilizados pelo abandono da família e, pior, dos filhos de quem cuidaram e se dedicaram com tanto amor. Confesso que me emocionei em alguns trechos desta carta (sim, eu sou bem sensível mesmo) porque sei que tudo aí acima tem muito de verdade e de como tratamos nossos idosos com escárnio, desrespeito e até desprezo. Mas do futuro, ninguém sabe, não é verdade? Não seremos jovens para sempre e não devemos fazer com os outros o que não queremos que façam conosco, principalmente, vindo de quem mães e pais mais prezam: os filhos.

Beijos e até o mês que vem!