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24 agosto 2015

Quando te viram as costas num momento difícil


Olá, minhas meninas e meninos queridos!

Vou contar umas passagens e procurar resumir ao máximo para não ficar looongo demais, mas creio que essa é uma situação que todo mundo ou já passou ou está passando, só muda de cara e endereço: a falta de consideração da família. Quando digo família aqui trago no sentido mais amplo da palavra: tios, primos e adjacências! E desculpem pelo desabafo, mas eu realmente estou bem incomodada com o que vou contar para vcs e não é por mim, é pelos meus pais e, principalmente, por meu pai, porque que apesar das pessoas já terem mais que provado que não estão nem aí com eles, ainda se chateiam, ainda se magoam com quem não merece uma fração de segundo do nosso pensamento e, muito menos, desgaste.  

Uma coisa que não contei a vcs é que meu pai terminou um tratamento médico bastante rigoroso e prolongado. Ano passado, descobrimos que ele tem câncer de próstata. Inicialmente, a ideia é que ele operasse, mas descobrimos nos check-ups que o coração dele está muito fraco. Meu pai é um senhor de quase 80 anos. É complicado operar um idoso, ainda mais nessas condições. A alternativa era passar pela radioterapia e um tipo de castração química, cujo objetivo é fazer com que o tumor diminua antes de iniciar o tratamento com injeções aplicadas na barriga, o que deve ser bem dolorido. Eu já tive que tomar injeção na barriga e sei o quanto pode ser incômodo. 

Enfim, entre exames, injeções (que foram 3), feriados no meio, outros contratempos e iniciar a radioterapia demorou um pouquinho e foram intermináveis 40 sessões de radio, que fizeram meu pai emagrecer muito, ter reações bem desagradáveis, fora os remédios que ainda tinha que tomar concomitantemente ao tratamento, inclusive para o coração. Sem contar na dieta rigorosa que ele teve que seguir. E para ele que come muuuuuito, imaginem como foi sacrificado.

Tudo correu bem. Ele terminou o tratamento esta semana, já voltou a comer normal sem restrições, embora ainda sinta alguns efeitos desagradáveis, que só com o tempo vai voltando à normalidade.

Mas por que estou contando essa passagem do meu pai para vcs e o que isso tem a ver com o título da postagem? O que tem a ver é que a "família" dele, nesse tempo de radioterapia que foi mais de um mês nem ligou pra ele. Teve Dia dos Pais aí no meio e nem uma ligação das sobrinhas e da única irmã que restou, principalmente, ele não recebeu. Ele não não reclama de nada até porque eu, minha mãe e irmã falamos o diabo quando vemos esse tipo de coisa. É difícil se conter vendo tanta coisa errada, não é? Pra mim, é! Então, creio que até para evitar animosidade, ele prefere nem comentar nada, mas é claro que sente o desprezo dessa gente. Digo "essa gente" porque, sendo bem franca com vcs, não os considero família mais, depois de tanta coisa errada que vi esse povo fazer com meus pais, porque mesmo que minha mãe seja tia emprestada e cunhada, sempre foi muito ligada a eles, mas a recíproca não era verdadeira. Muito embora quando precisavam dos meus pais aí sabiam nº de telefone, sabiam nosso endereço todos os dias quando precisaram, vinham em casa mesmo tendo que pegar busão...mas quando não interessa mais, aí pegar ônibus é sacrifício demais, qualquer horário é ruim, estão sempre ocupados demais e pegar no telefone para perguntar se meus pais estavam bem saí caro demais ou "não liguei pra ninguém", quando sabemos que ligou para outras pessoas da família que moram muito mais longe...Pois é! 




Pra dizer a verdade, adotei o título de um filme italiano para minha vida em relação a isso: "Parente é Serpente!" "Parentes são os dentes", como muitos antigos diziam. E é verdade absoluta! Tô cagando e andando pra essa gente, por vários motivos. A gota d´água com eles foi quando eu mesma precisei correr para o hospital anos atrás e uma das minhas primas deu pra trás com uma desculpa ridícula, sendo que esse povo inúmeras vezes precisou da gente em situações diversas, inclusive de saúde tbm. Se eu não tivesse amigos, não sei o que poderia ter acontecido. Talvez, nada. Mas poderia também ter me complicado ainda mais. Não é questão de jogar na cara, gente. A questão é quando vc percebe que a reciprocidade da pessoa é só da boca pra fora, de como ela acha que nunca mais vai precisar de ninguém, de como ela tem a cara-de-pau ainda de dizer que nos "considera" (sim, ela ainda tem a capacidade de dizer que considera muito! Imaginem se não!), Porque essa mesma pessoa se esquece que não teve ninguém que a socorresse porque não estavam nem aí com ela. E aí essa criatura tem a capacidade de "esquecer" de ligar quando o tio adoece. Então, tá! 

É difícil quando vemos fazer desfeita ou desaforo para quem a gente ama. É muito mais difícil do que se fosse para mim, porque eu já ignoro e pronto, mando ir tomar...e acabou! Mas com pai e mãe o buraco é mais embaixo, porque eu sei que eles se importam. Se eles estivessem dando de ombros, eu não ligaria tbm. Mas não é assim que funciona com eles, infelizmente. Tudo seria mais fácil se eles desapegassem de quem não está nem aí com eles. E numa situação de doença, eu acho essa gente no mínimo, covarde e mau-caráter. É o mínimo que posso dizer. Me dá um misto de raiva com chateação e compaixão que é horrível sentir! E dá vontade de ir lá e dizer poucas e boas!





Tenho plena convicção que ter gente assim bem longe é melhor para todo mundo, pois não se pode pedir que alguém dê aquilo que não pode dar, seja atenção, respeito, consideração ou qualquer outra coisa. Não é porque numa época todo mundo se dá bem que será assim pra vida toda porque, infelizmente, não é. E não é porque as pessoas mudam ou amadurecem ou entram outras pessoas na família e queremos atribuir a culpa a quem é de fora. Isso acontece porque as pessoas se revelam como realmente são, mas antes não eram sinceras. Isso que enxergamos hoje das pessoas e não vimos antes ou é porque não queríamos enxergar ou é o que a pessoa sempre foi, mas por conveniência era mais interessante esconder de vc. E não há outra alternativa a não ser se afastar desse tipo de pessoa, pois só tem a dar mais decepção e desilusão, não se pode esperar nada de nível mais elevado vindo de pessoas assim. 

Se vc estiver passando por isso e ainda tem ilusão que família é mais abrangente (como eu pensava antigamente quando todo mundo "se dava bem"), tenha em mente que família são os pais e irmãos. E que até mesmo seus irmãos podem se mostrar diferentes um dia e não quererem mais saber de vc, por mais que isto te doa. Já vi muitos casos assim...Por mais que todo mundo se reúna, festeje juntos nos fins de semana, no final de ano, viajam juntos para praia e divirtam-se todos juntos parecendo que sempre vai ser assim, nem sempre será. E pode demorar a se acostumar com a ideia de que as coisas não são mais legais e agradáveis como antes, mas a verdade é que a ilusão acabou e agora vc tem a verdade. Mesmo que a verdade seja difícil de aceitar, é sempre a verdade. Não aceite que as pessoas mantenham vínculo porque vc tem uma casa na praia, porque está melhor financeiramente que elas, porque elas veem através de vc uma chance de conseguir algo que interesse a elas ou qualquer coisa do gênero. Não aceite míseras desculpas para tampar o sol com a peneira, pois sempre sabemos lá no fundo que a verdade é outra. Saber da verdade dói, mas sempre é mais digno. Não tente mascarar a verdade arrumando desculpas para si mesmo. Se vc está enxergando que o negócio é diferente, é porque deve ser mesmo. Não devemos aceitar nada menos que a verdade. Sempre!












Créditos: on-repairs.tk / amanddasouza.tumblr.com / pensador.uol.com.br